
O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) concluiu o primeiro ciclo de oficinas do Projeto de Formação em Monitoramento Territorial Colaborativo Yanomami e Ye’kwana, nas regiões de Palimiú e Maloca Paapiú, no dia 25 de abril. Na ocasião foram certificados os dois primeiros grupos de alunos do projeto, totalizando mais de 40 indígenas.
Iniciado em 2023, em meio ao processo de desintrusão da TI, o projeto piloto foi uma ação estratégica do Departamento de Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato da Secretaria de Direitos Territoriais Indígenas (DEPIR/SEDAT), em parceria com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), com a Hutukara Associação Yanomami (HAY), o Instituto Socioambiental (ISA) e a Universidade Federal de Roraima (UFRR).
O objetivo da iniciativa é promover a efetivação do Plano de Vigilância Indígena da TI Yanomami, contemplando parte das demandas do Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) da Terra Indígena Yanomami, e atendendo também à recente Carta de Surucucu, produto final do 5º Fórum de Lideranças Yanomami e Ye’kwana, ocorrido em outubro de 2025.
Ao longo dos quatro módulos do curso, as oficinas de formação contaram com a colaboração de diversas instituições parceiras, que proveram corpo técnico especializado nas temáticas abordadas. Foram elas a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (UNIVAJA), o Instituto de Pesquisa da Amazônia (IPAM), o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
O Curso abordou três eixos principais: direitos territoriais e ambientais, técnicas de monitoramento e vigilância, como o uso de GPS, drones, sistemas de informação geográfica e uso da ferramenta do Sistemas de Alertas da TIY, e segurança em campo, prevenção de acidentes, noções básicas de primeiros socorros e protocolo de segurança para atuação em expedições de monitoramento de agravos.
Conteúdo dividido em quatro etapas
As primeiras oficinas do projeto trataram do “Monitoramento Colaborativo e Vigilância Indígena”, com enfoque na utilização da ferramenta do sistema de alertas. A segunda parte das oficinas foi referente ao “Nivelamento Técnico e Protocolo de Segurança”, já a terceira etapa tratou de “Técnicas e Tecnologias no Monitoramento Territorial e Ambiental” e por fim, as quartas “Elaboração de Planos de Vigilância Regionais”.
Para atuação em segurança, foram também distribuídos aos indígenas participantes kits de equipamentos de proteção individual, contendo itens como mochila, lanterna, botas, chapéu, entre outros. Cada um dos alunos do Programa de Formação também recebeu um smartphone, de forma que pudessem acessar a ferramenta do Sistema de Alertas (app ODK Collect), fotografar e emitir alertas georreferenciados e melhor comunicarem-se com instituições e a comunidade.
As iniciativas das comunidades Yanomami e Ye’kwana demonstram a importância do monitoramento territorial para a proteção da TI e são estratégias fundamentais para o fortalecimento de seus direitos territoriais e para a garantia de seu usufruto exclusivo, especialmente no contexto da desintrusão, contribuindo para um futuro plano de proteção territorial permanente.