23 de julho de 2026 09:35

Sampaio esqueceu HGR durante arraial; cirurgias estão sendo canceladas por falta de pagamento à Med Trauma

Enquanto o palco do arraial promovido pelo Governo de Roraima recebe música, autoridades e celebração, centenas de pacientes seguem aguardando por uma cirurgia ortopédica no Hospital Geral de Roraima (HGR). O contraste é inevitável.

Arquivo pessoal

Não há problema em o governador interino, Soldado Sampaio (Republicanos), participar de um evento cultural. A questão é outra: quando a principal vitrine da gestão é uma crise na saúde, a imagem de comemoração passa uma mensagem difícil de justificar para quem espera meses por um procedimento cirúrgico.

A suspensão das cirurgias ortopédicas eletivas, confirmada após a MedTrauma alegar mais de 150 dias de inadimplência contratual, representa mais um capítulo da instabilidade na saúde pública estadual. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) afirma que os pacientes terão seus procedimentos reagendados e atribui a situação a débitos da gestão anterior. Mas, para quem está na fila, pouco importa de quem é a culpa. O que importa é que a cirurgia não aconteceu.

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O episódio também enfraquece um dos principais compromissos assumidos por Soldado Sampaio ao chegar ao comando do Estado: reduzir as filas de cirurgias eletivas. A promessa de acelerar os procedimentos deu lugar, em pouco tempo, ao adiamento de operações e à frustração de pacientes que já aguardavam há meses.

Durante a abertura do arraial, o governador interino também foi alvo de vaias por parte do público, o que reflete a insatisfação das pessoas que ali estavam. Além da crise na saúde, a gestão também enfrentou críticas após a demissão de servidores, dias após o resultado da eleição suplementar, Sampaio perdeu a disputa para o candidato Arthur Henrique(PL).

Vale destacar que na política, imagens também comunicam. E, neste momento, a imagem do governador participando do arraial sorrindo e feliz, contrasta com a de pacientes convivendo com dores, limitações e incertezas sobre quando voltarão a ter qualidade de vida.

A população não espera que seus governantes deixem de participar de eventos públicos. Espera, porém, que as promessas feitas sejam cumpridas e que a saúde seja tratada com a urgência que merece. Afinal, uma cirurgia adiada não é apenas um número em uma estatística: é uma pessoa que continua sofrendo, um trabalhador afastado e uma família que permanece sem respostas.