
O Ministério Público Eleitoral instaurou investigação para apurar a suspeita de uso da estrutura da administração pública e de grupos de WhatsApp por servidores estaduais durante o expediente para promover a candidatura de Soldado Sampaio na eleição suplementar de Roraima.
A apuração, conduzida pelo procurador regional eleitoral Miguel de Almeida Lima, busca verificar se houve mobilização coordenada de servidores em diversas secretarias para divulgação de conteúdo eleitoral durante o horário de trabalho, prática que, se confirmada, pode configurar abuso do poder político e uso da máquina pública em benefício de candidatura.
Entre os pontos investigados estão mensagens compartilhadas em grupos de WhatsApp, a possível participação de servidores em ações de mobilização eleitoral durante o expediente e eventual utilização da estrutura administrativa para favorecer a campanha.
A investigação ocorre em um momento de forte tensão política no Estado. A eleição suplementar segue sem definição definitiva, já que o candidato mais votado, Arthur Henrique (PL), aguarda julgamento sobre o registro de sua candidatura, enquanto Soldado Sampaio permanece no comando do governo de forma interina.
Caso sejam encontrados indícios suficientes, o Ministério Público poderá adotar as medidas judiciais cabíveis, que podem incluir ações por abuso de poder político e condutas vedadas pela legislação eleitoral. Nesta fase, entretanto, o procedimento tem caráter investigativo, e ainda não há conclusão sobre eventual responsabilidade dos envolvidos.
A abertura da investigação amplia o ambiente de judicialização que marcou a eleição suplementar em Roraima e pode acrescentar novos elementos ao debate sobre a lisura do processo eleitoral, especialmente quanto ao uso da máquina pública e à atuação de agentes públicos durante a campanha.