
O fim da escala 6×1, aprovado na noite de quarta-feira (27/5) pela Câmara dos Deputados, vai trazer impactos positivos na economia brasileira. A avaliação é do ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Pereira, entrevistado pelo programa Bom Dia, Ministro desta quinta-feira (28/5), transmitido pelo Canal Gov, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
“Essa proposta vai ter um impacto muito positivo no Brasil. Nós temos cerca de 15 milhões de brasileiros que trabalham na 6×1, vão trabalhar na 5×2. Nós temos algo como 38 milhões de brasileiros, brasileiras que trabalham em um regime de 44 horas semanais, vão trabalhar com 40. As pessoas vão ter mais tempo para estudar, cuidar da saúde, das suas famílias, vão ter mais tempo para empreender. Também vão estar consumindo mais. Mais lazer, mais cinema, mais restaurante, mais lanchonete”.
A economia brasileira está preparada para essa mudança. Nós não estamos inventando isso no Brasil. Uma parte importante do mundo já fez isso e deu muito certo”, disse Paulo Pereira
A Câmara aprovou por 470 a favor e 22 contrários a Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada semanal de 44 horas para 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado e proibição de qualquer redução salarial. Para entrar em vigor, a PEC agora vai para o Senado e, se não sofrer alteração, segue à promulgação e terá 60 dias para começar a valer.
O ministro Paulo Pereira destacou que a proposta moderniza as relações de trabalho, com impacto na qualidade de vida dos trabalhadores.
A gente tem ganhos sociais importantes. Quer dizer, qual é o impacto de ter uma mãe de família em casa um dia a mais, podendo cuidar dos seus filhos? Olhando se os seus filhos estão estudando bem, cuidando da saúde dos seus filhos? O impacto dessa proposta entre as mulheres é gigante”.
“75% dos trabalhadores formais vão ser afetados. Esses trabalhadores são os que têm renda mais baixa. A renda deles chega a ser 44% menor do que a renda do trabalhador formal. São os trabalhadores, trabalhadoras de menor escolaridade. Ou seja, são aqueles que mais precisam. Presença muito grande das mulheres. As trabalhadoras domésticas vão ser muito afetadas pela escala 6×1. Nós temos 1,5 milhão de trabalhadoras domésticas. Os estudos mostram que as mulheres despendem 21 horas semanais nos trabalhos domésticos. Os homens gastam cerca de 10 horas semanais em trabalhos domésticos. Então, a mulher trabalha 6 dias, chega em casa, vai fazer o quê? Trabalhar. Cuidar dos filhos, cuidar da família.Então, o impacto sobre as mulheres, sobre os setores menos escolarizados, sobre os setores de menor renda, é muito grande. Para que essas pessoas possam ter uma vida melhor, cuidar melhor das suas famílias”, explicou.