7 de março de 2026 19:22

Venezuelanos no Brasil ainda demonstram incerteza sobre momento político no país vizinho

Foto: Reprodução

O clima de incerteza política na Venezuela também reflete em decisões que imigrantes que vivem no Brasil podem adotar daqui para frente. Após os acontecimentos que incluem bombardeios no país vizinho e o sequestro de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, alguns venezuelanos em Roraima conversaram com a Cenarium e relataram que ainda preferem esperar os desdobramentos políticos no país de origem.

A Venezuelana Roxana Guardian, está no Brasil há 7 anos, ela trabalha com manicure em um salão de beleza em Boa Vista, capital de Roraima, e disse que ainda não é o momento de voltar, mas que deve deixar o Brasil rumo à Venezuela caso as coisas melhorem.

“Temos a expectativa de voltar, mas não agora, porque é um novo processo que está iniciando no meu país. Temos que esperar tudo acontecer, porque lá ainda tem muitos corruptos no poder, mas eu quero voltar porque minha mãe e meu filho estão lá”.

Josué Hernandez é trabalhador da construção civil e comentou que para voltar à Venezuela é preciso que militares apoiadores de Maduro também deixem o governo.

“Nicolás Maduro nunca foi presidente da Venezuela, sempre foi um ditador. Temos certeza que ele perdeu as últimas eleições. Agora ainda existem muitas pessoas que precisam sair do poder, como o Ministro da Defesa e outros militares que ainda são leais ao Maduro. Estou há quatro anos no Brasil para melhorar de vida, sou muito agradecido aos brasileiros por terem aberto as portas e todo apoio com emprego, mas penso em ficar mais dois anos por aqui e depois voltar”, explicou.

Já o roraimense Júlio César Liberal, disse que agora a Venezuela vai se recuperar social, econômica e politicamente.

“Estamos vendo uma transformação no país vizinho. Agora o povo venezuelano pode se livrar de um regime ditatorial e recomeçar suas vidas. É um processo demorado, mas eu creio que começando pela política, a economia e o contexto social sejam impactos de forma positiva”, opinou.

Imigração em números

De acordo com dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Roraima possui 81.766 moradores nascidos em outros países, o que corresponde a 12,84% dos 636.707 habitantes do estado. O número coloca Roraima na liderança nacional nesse indicador e reflete o impacto direto da crise enfrentada pela Venezuela ao longo da última década.

Pacaraima, município localizado na fronteira com a Venezuela, é o principal ponto de acesso dos migrantes ao território brasileiro. Na cidade, estrangeiros representam 36% da população, o equivalente a 7.010 pessoas entre os 19.305 moradores.

Em Boa Vista, capital do estado, a presença de imigrantes também é expressiva. São 62.709 moradores de outros países, o que corresponde a 15,17% dos 413.486 habitantes do município.

Ainda segundo o IBGE, 77.563 venezuelanos vivem atualmente em Roraima, o que representa 98,24% de toda a população estrangeira do estado. Outras nacionalidades aparecem em números menores, como guianenses (1.679 pessoas) e colombianos (347).

Em Roraima, o avanço da migração venezuelana gera impactos diretos em áreas como saúde, educação, assistência social, habitação e mercado de trabalho.