
A cobrança pública feita pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes à presidente do TSE, Ministra Cármen Lúcia, sobre a demora no julgamento do processo que pode cassar Antonio Denarium, escancarou mais do que um simples embate institucional em Brasília. Levantou dúvidas legítimas sobre articulações nos bastidores.
O processo, que se arrasta há quase dois anos no Tribunal Superior Eleitoral, trata de acusações graves: abuso de poder político e econômico, com uso de programas sociais e da máquina pública para influenciar o resultado eleitoral de 2022
A demora incomum já vinha sendo alvo de críticas, mas ganhou novo peso quando Gilmar classificou a situação como “mais grave” e expôs que havia recebido, em seu gabinete, o presidente da Assembleia Legislativa de Roraima, Soldado Sampaio.(Republicanos).
Sampaio, como sabemos, é historicamente alinhado à Denarium. Então o que aconteceu tratava-se de uma preocupação institucional com a estabilidade do estado ou de uma movimentação política para influenciar o ritmo ou o desfecho do julgamento?
Mais do que discutir a culpa ou inocência de Denarium, essa situação gera uma reflexão incômoda: até que ponto decisões judiciais de grande impacto político estão blindadas de articulações informais?