
Quem acompanha a política de Roraima já ouviu a famosa frase: “Em Roraima, até boi voa.” Em 2026, porém, essa expressão parece ter ganhado uma nova dimensão. O Estado vive uma sequência de acontecimentos que transformou a disputa pelo poder em uma das mais complexas e imprevisíveis de sua história.
Tudo começou com a cassação do governador Antonio Denarium (Republicanos) e do vice-governador Edilson Damião (União), decisão que levou à convocação de uma eleição suplementar para escolher os novos ocupantes do Palácio Senador Hélio Campos.
Nesse cenário, o comando do Estado passou por uma transição marcada por decisões judiciais e pela interinidade do presidente da Assembleia Legislativa, Soldado Sampaio (Republicanos).
A eleição suplementar trouxe outro capítulo inédito: Arthur Henrique (PL) foi o candidato mais votado, com 60,87% dos votos válidos. No entanto, sua candidatura permaneceu sob análise da Justiça Eleitoral, deixando o resultado definitivo condicionado às decisões dos tribunais superiores.
Ou seja, Roraima passou a conviver com uma situação política rara: um candidato vencedor nas urnas, mas sem posse definida, enquanto um governador interino permanecia no comando do Estado.
A guerra política mudou de lado
Outro episódio que marcou a política local envolve Teresa Surita (MDB). Durante anos, ela foi uma das principais lideranças políticas de Roraima e chegou a integrar o grupo político de Arthur Henrique. Com o novo cenário eleitoral, entretanto, essa relação mudou completamente.
O que antes era parceria transformou-se em disputa. Teresa passou a fazer críticas ao grupo de Arthur enquanto buscava construir um novo caminho político.
Sua decisão de apoiar Soldado Sampaio na eleição suplementar foi interpretada por muitos como uma tentativa de unir forças contra Arthur Henrique. Ainda assim, mesmo reunindo o apoio de diversos partidos e lideranças políticas, Sampaio acabou derrotado nas urnas.
Agora, com a aproximação das eleições de outubro, o cenário tornou-se ainda mais complexo. O episódio envolvendo Teresa e o grupo de Sampaio demonstra como as alianças políticas em Roraima podem mudar rapidamente. O acordo firmado entre Sampaio e Helena Lima redesenhou o tabuleiro eleitoral e deixou Teresa fora da composição, evidenciando que, na política roraimense, antigos aliados podem se tornar adversários de uma hora para outra. A disputa mostra que apoios construídos no passado nem sempre se mantêm quando novos interesses entram em jogo.
Enquanto isso, Arthur Henrique segue com forte presença eleitoral. Seu grupo aposta na mobilização do eleitorado identificado com o bolsonarismo e conta com importantes apoios políticos.
O ex-governador Antonio Denarium permanece como uma peça relevante no tabuleiro político, mantendo influência e capacidade de articulação dentro de seu grupo. Sua atuação continua sendo considerada estratégica, especialmente no interior do Estado.
Ao mesmo tempo, lideranças como o senador Hiran Gonçalves buscam reorganizar suas estratégias para a próxima disputa, demonstrando que a eleição em Roraima não será apenas uma escolha de nomes, mas também um confronto entre diferentes forças políticas.
Em um Estado onde a política sempre foi marcada por reviravoltas, 2026 entrou para a história como um ano em que ninguém pode ser considerado totalmente fora do jogo.
Porque, como diz o velho ditado popular adaptado à realidade local, em Roraima, quando parece que tudo está definido, é justamente quando surge uma nova surpresa. Aqui, se duvidar, o boi pode voar, sim