7 de março de 2026 17:08

Roraima e a escolha de 2026: entre promessas, poder e a memória de quem fez

As eleições de 2026 em Roraima prometem ser uma das mais acirradas e complexas da história recente do estado. No tabuleiro político, quatro nomes despontam para disputar o Governo: Teresa Surita (MDB), Edilson Damião (Republicanos), Soldado Sampaio (Republicanos) e Mecias de Jesus (Republicanos). A multiplicidade de nomes ligados ao mesmo partido levanta uma questão inevitável: qual projeto, de fato, representa o futuro que os roraimenses esperam?

De um lado, Teresa Surita, ex-prefeita de Boa Vista, carrega uma imagem consolidada de gestora eficiente. Seu histórico à frente da capital é frequentemente lembrado pela população, especialmente pelas obras estruturantes, pela humanização dos serviços públicos e pela forma como modernizou a cidade, transformando-a em referência nacional em urbanismo e políticas sociais. Teresa representa, para muitos, a lembrança de uma gestão que funcionava, em contraste com o atual cenário de promessas políticas e desconfiança generalizada.

Do outro, surgem nomes como Edilson Damião, Soldado Sampaio e Mecias de Jesus, todos ligados ao mesmo grupo político, o Republicanos, legenda que, por sua vez, busca se manter no poder e consolidar sua influência no estado, e tem feito isso de norte à sul. A presença de três possíveis candidatos do mesmo partido evidencia tanto uma disputa interna por protagonismo quanto uma tentativa de testar a força eleitoral do grupo. Mas, no fim, a dúvida que fica é: há projetos distintos entre eles ou apenas diferentes rostos para o mesmo discurso político?

Sampaio à frente da Assembleia Legislativa mostrou empenho somente agora no final de mandato nos projetos sociais desenvolvidos pelo poder legislativo estadual, e foram poucas as vezes que se colou oposto ao Governador Antonio Denarium (PP). Isso significa que apesar da harmonia entre poderes ser algo normal, também parece que há um desleixo na fiscalização. Ou seja, na campanha, será que Sampaio vai poder olhar nos olhos da população e dizer que fiscalizou a Saúde? Deu continuidade à CPIs? Que chegou a levantar todos os gargalos de infraestrutura e educação dos municípios do estado?

Mecias, apesar de insistir junto com outros senadores de serem os pais (de maneira individual) do Linhão de Tucuruí, ainda não mostrou algo que ficou muito marcado em sua carreira política. Quando as pessoas falam em Mecias de Jesus, elas lembram de algum grande feito?

E Damião? Claro que o cargo de Vice-Governador acumulado com uma pasta ainda não dá a evidência necessária que ele deveria ter como político. Mas tendo inexperiência, processos de Cassação e o silêncio sobre as mazelas do Estado, será que vai convencer o eleitor?

Este mesmo, o eleitor roraimense, cansado de escândalos, cassações e promessas recicladas, quer mais do que alianças momentâneas. Quer resultados palpáveis. Quer sentir novamente que o Governo trabalha para o povo e não para a perpetuação de poder ou interesses pessoais.

Em 2026, o voto de cada roraimense será mais do que uma escolha entre nomes. Será um recado sobre que tipo de política o estado quer continuar construindo: a da força e dos acordos, ou a da gestão e dos resultados.

A pergunta que fica é simples, mas essencial: quem realmente representa o futuro que Roraima merece?