7 de março de 2026 13:28

Quando a Assistência Social se torna Assistência ao Poder: A Transparência que Falta sobre o dinheiro do contribuinte

Foto: Internet

A mais recente investigação jornalística sobre a folha de pagamento da Assembleia Legislativa de Roraima expõe uma situação que deveria nos envergonhar como sociedade: pessoas que constam como beneficiárias do Bolsa Família estão, simultaneamente, empregadas na estrutura da própria Assembleia, recebendo salários públicos que podem chegar a R$ 12 mil por mês.

Para quem conhece a regra básica do programa, a situação causa espanto e indignação: o Bolsa Família é destinado a famílias em situação de vulnerabilidade. O cerne do problema não é apenas moral. O ponto mais preocupante é que esse episódio expõe, de forma crua, como a falta de transparência e de controles efetivos pode transformar dinheiro público em instrumento de favorecimento e de má gestão.

A própria reportagem feita pelo UOL e que teve repercussão do Portal O Caburaí, revela que a Assembleia Legislativa de Roraima desembolsa cifras milionárias em salários e cargos comissionados, com uma estrutura muito aquém da realidade demográfica e funcional do estado, incluindo relações questionáveis entre atividades exercidas e sua efetiva prestação de serviço à população.

O que vemos aqui é mais que uma falha administrativa, é um sintoma de um problema estrutural no uso de recursos públicos, onde a falta de mecanismos robustos de controle e fiscalização se alia a uma cultura permissiva de desperdício. Programas sociais precisam de rigor e de auditoria constante precisamente porque lidam com verba pública e com vidas humanas não podem servir como “bônus extra” ou proteção indevida para quem já recebe salários graúdos dos cofres estaduais.