7 de março de 2026 13:27

O silêncio cúmplice sobre o garimpo em Roraima

Foto: Reprodução

Há temas que exigem coragem política. O garimpo ilegal em Roraima é um deles. Se fosse regulamentado, com sua devida compensação ambiental, retorno devido com impostos aos cofres públicos, ainda por fim com áreas demarcadas para isso e permissão de órgãos ambientais e dos povos indígenas, pode ser que trouxesse uma prosperidade ao estado. Não há estudo sobre isso.

Mas independentemente de questões morais, é ilegal, destrutivo por natureza e devastador para povos indígenas, rios, florestas e para a própria imagem do Estado. Ainda assim, permanece envolto em um silêncio que não é inocente: é estratégico, calculado e profundamente hipócrita.

Os parlamentares federais de Roraima conhecem a realidade. Sabem que a atividade é proibida, que há crimes ambientais, exploração de trabalhadores, violência em territórios indígenas e um rastro de destruição socioeconômica que o discurso fácil do “progresso” jamais conseguiu sustentar. Mas sabem também que o garimpo, apesar de ilegal, virou cultura e cultura que rende votos.

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E é por isso que calam.

Calam para não contrariar quem vive da atividade. Calam para não desagradar quem lucra com ela. Calam para não perder o apoio de uma base eleitoral moldada por décadas de abandono estatal e promessas de regulamentação que nunca se cumprem.

Enquanto isso, o Estado segue aprisionado nessa contradição: de um lado, a lei que proíbe; do outro, uma política que finge não ver. Um teatro político em que todos sabem o que está acontecendo, mas ninguém ousa nomear o problema. Os parlamentares preferem posar para fotos, fazer discursos inflamados sobre desenvolvimento e soberania, mas jamais tocar na ferida que realmente compromete o futuro de Roraima: a dependência de uma prática ilegal que já ultrapassou qualquer limite ético.

A hipocrisia é evidente. Não se trata de desconhecimento, mas de conveniência.