7 de março de 2026 14:28

O Racismo que o Brasil Insiste em não enxergar

“O Brasil acolhedor”, essa é narrativa que se criou do país do futebol, mas ela desaba quando confrontada com a realidade: somos uma nação profundamente marcada pelo racismo.

Foto: Carl de Souza / AFP

O país ainda falha em reconhecer a dimensão desse problema, principalmente quando envolve questões morais e religiosas. Muita gente alimenta a fantasia de que o preconceito é exceção, mas não entende que ele molda a vida de milhões de brasileiros desde o nascimento. E aqui estão apenas alguns dados que fazem jus a essa afirmação:

•⁠ ⁠Em 2023, a renda média das pessoas negras era de R$ 2.199,04, enquanto a de pessoas brancas era de R$ 3.729,69. – IBGE.

•⁠ ⁠Em 2022, cerca de 3.800 mulheres foram mortas no Brasil, sendo 2.526 negras. Assim, constatou-se que mais de 66% dos homicídios femininos no país eram de mulheres pretas. – Atlas da Violência.

•⁠ ⁠Mesmo compondo mais de 55% da população, apenas 8% de pretos e pardos ocupam cargos de liderança. – Indique uma Preta.

•⁠ ⁠Em 2022, pessoas pretas e pardas representavam 73% dos pobres e extremamente pobres do país. – IBGE.

•⁠ ⁠Mortes que Revelam um Padrão, em 2023, 4.025 pessoas foram mortas em operações policiais. No entanto, apenas 3.169 tiveram raça e cor informadas, dessas, 2.782 eram pretas ou pardas. – Pele Alvo.

Sabe o que é pior? Recentemente foi divulgado um outro estudo em que revela que 52,2% das pessoas pretas e pardas no Brasil não sabem como proceder para denunciar casos de racismo ou injúria racial. 47,5% têm conhecimento sobre as leis que combatem a discriminação. Um problema educacional que já vem sendo alertado há anos!

Os dados foram divulgados na quarta-feira,19/11, pelos institutos Orire e Sumaúma, com apoio da Uber.

Mas há uma contradição ainda mais profunda: ao mesmo tempo em que negligenciamos a discriminação, exigimos que as pessoas negras provem, todos os dias, que merecem existir nos mesmos espaços que outros ocupam sem questionamento. Isso que arranca a mais profunda indignação.

No Dia da Consciência Negra, e em todos os outros, é preciso ir além do discurso simbólico. O país que se orgulha de sua receptividade e diversidade tem a obrigação moral de garantir justiça social.