26 de setembro de 2026 01:00

Frete em Roraima pode ficar até 50% mais caro por causa do El Niño

Roraima pode ter um aumento de até 50% no valor do frete no final de 2026 e início de 2027 por conta do El Niño, segundo pesquisa do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado de Roraima (FIER) divulgada em agosto deste ano.

Foto: Reprodução/RBS TV

O fenômeno, além de encarecer o valor do frete, pode atrasar o abastecimento. Roraima recebe produtos importados pela BR-174 vindos de Manaus, porém a mercadoria que antes chegava de navio, tem que ser transferida para balsas em trechos de menor profundidade devido à seca. 

Entenda: os efeitos do fenômeno El Niño estabelecido em 2026 devem perdurar até o primeiro trimestre de 2027, contribuindo para um pico de seca mais intenso nos rios do Amazonas no próximo ano. A informação foi divulgada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB).

Segundo o relatório da FIER, a necessidade detransferir as cargas aumenta os custos da operação e pode levar à cobrança da chamada “Taxa Seca”. Com isso, os fretes rodoviários e fluviais destinados a Roraima podem ficar 25% a 50% mais caros. 

O prazo de abastecimento, normalmente de 15 a 20 dias, pode ultrapassar 45 dias durante esse período. 

Roraima registrou chuvas intensas no primeiro semestre de 2026, que levaram o Rio Branco a atingir o nível de alerta para inundação em junho. No entanto, o estudo prevê que a transição para o El Niño deve antecipar o fim do período chuvoso e aumentar a vulnerabilidade do estado a partir dos últimos três meses do ano. 

Impactos do El Ninõ nos municípios de Roraima

O relatório divide Roraima em cinco grupos de municípios, de acordo com os principais impactos esperados durante o período. 

Em Rorainópolis, São Luiz do Anauá, São João da Baliza e Caroebe, o relatório aponta problemas na disponibilidade de água e indica a necessidade de medidas de adaptação de longo prazo. 

Em Boa Vista e Cantá, o aumento das temperaturas pode pressionar os recursos hídricos e afetar o abastecimento de água e a pecuária familiar. 

Em Amajari, Alto Alegre e Pacaraima, o relatório prevê que igarapés podem secar e incêndios podem avançar pelas regiões de serra. O cenário pode dificultar o acesso às comunidades e prejudicar a agricultura e a pecuária indígena e familiar. 

Em Mucajaí, Iracema e Caracaraí, áreas já desmatadas podem ficar mais vulneráveis aos incêndios durante a seca associada ao El Niño. Segundo o relatório, o fogo pode atingir pastagens e provocar perda de peso no rebanho. 

Já em Bonfim, Normandia e Uiramutã, a perda de umidade do solo e o desaparecimento de fontes de água podem obrigar o gado a percorrer distâncias maiores sob temperaturas elevadas. Segundo o relatório, a situação aumenta o risco de morte de animais por exaustão térmica.

Com informações do G1 RR