7 de março de 2026 15:47

Em áudio, mulher de Ramagem cita fim de teletrabalho em 2020: “Caiu”.

Reprodução Instagram

Uma gravação de voz obtida pela coluna com exclusividade, atribuída à procuradora do Estado de Roraima Rebeca Ramagem — esposa do ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e condenado pela trama golpista Alexandre Ramagem —, indica que sua autorização para atuar em regime de teletrabalho “caiu” em 2020.

Na gravação, enviada ao setor de Recursos Humanos, Rebeca afirma que atuou em regime de teletrabalho entre 2016 e 2019, após autorização concedida pelo então procurador-geral do Estado. Segundo ela, a situação teria mudado em 2020, quando foi lotada na coordenadoria de Brasília.

“A partir do momento que eu fui lotada lá, o meu teletrabalho automaticamente caiu”, diz no áudio. Apesar disso, afirma que continuou desempenhando suas funções remotamente.

Na mesma gravação, a procuradora demonstra dúvida sobre a formalização do regime após a mudança de lotação e afirma não saber onde localizar os documentos relacionados.

Após o governo de Roraima determinar que Rebeca Ramagem volte a trabalhar presencialmente, ela publicou, nessa semana, um vídeo onde classifica a ordem de retorno como “perseguição política”. Ela está nos Estados Unidos com a família desde setembro de 2025.

Rebeca afirma que sistemas judiciais, protocolos, audiências, despachos e reuniões ocorrem virtualmente e que não haveria justificativa técnica ou operacional para exigir sua presença física.

“Exerço minhas funções dessa forma desde 2016, sem qualquer prejuízo ao serviço público. Aproximadamente um terço dos procuradores do Estado atuam em regime de teletrabalho. Ou seja, o modelo é aceito, regulamentado e disponível a quem desejar, menos para mim”, disse. “Trata-se de mais um ato arbitrário que reforça de forma inequívoca o cenário de perseguição política.”

A procuradora está nos EUA há cinco meses com o marido, considerado foragido da Justiça brasileira. Ramagem foi condenado a 16 anos e um mês de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Conforme noticiou o Metrópoles, no último mês, ela solicitou licença médica de 60 dias, a partir de 22 de dezembro. O afastamento, segundo a defesa, foi motivado por “impactos reais, concretos, emocionais e psicológicos” relacionados à situação vivida pela família. Antes disso, estava de férias desde novembro.

Paralelamente, Rebeca tenta reverter no Supremo Tribunal Federal (STF) o bloqueio de suas contas bancárias. Em mandado de segurança apresentado ao ministro André Mendonça, ela afirma não ter sido previamente notificada da decisão e sustenta que a medida impediu o recebimento do salário. A defesa alega que a ordem gerou “insegurança alimentar” para ela e as duas filhas, de 14 e 7 anos.

Pronunciamento da PGR-RR

Após o pronunciamento de Rebeca, a Procuradoria-Geral do Estado de Roraima (PGR-RR) emitiu nota rebatendo as declarações.

A Procuradoria afirmou que não procede a alegação de perseguição política e declarou que a atuação institucional é pautada exclusivamente por critérios técnicos, legais e administrativos.

“A PGE-RR informa que, formalmente, a procuradora não se encontra em regime de teletrabalho. O regime, anteriormente concedido, precariamente, à Rebeca Ramagem foi revogado, a pedido da própria procuradora no dia 12 de agosto de 2020, ocasião em que ela também requereu remoção definitiva para a Coordenadoria da PGE em Brasília (DF), pedido que foi deferido. Desde então, a lotação oficial da procuradora é presencial na Coordenadoria de Brasília, unidade integrante da estrutura da PGE-RR. Desta forma, a PGE-RR reitera que não houve suspensão recente de teletrabalho, uma vez que a procuradora já não estava formalmente autorizada a atuar remotamente desde 2020”, diz a nota.

Com informações do Metrópoles