29 de julho de 2026 20:35

“Deus queira”: áudio revela desejo de PM de localizar garimpeiro antes da morte, aponta investigação

Foto: Reprodução

Uma investigação conduzida pelas autoridades policiais em Roraima revelou um suposto esquema criminoso envolvendo policiais militares de Roraima e financiadores do garimpo ilegal que atuam na Terra Indígena Yanomami. As apurações são reforçadas por áudios obtidos durante a investigação, nos quais integrantes do grupo discutem pagamentos via Pix, ordens para execução de rivais e a atuação dos envolvidos.

Em vários dos áudios obtidos pela redação do Portal O Caburaí, o Sargento Starley Vieira da Silva chega a dizer que monitora um garimpeiro, identificado como José Roberto Souza da Silva, morto a tiros em maio de 2024.

“Amanhã eu vou fazer aquela situação mais o [Everson] Brasil à noite. Nós localizamos o cara, sabemos onde ele tá. Agora vamos ver se tá certo da gente fazer amanhã. Tomara, Deus queira”, revela áudio atribuído a Starley.

Conforme a apuração, a vítima fazia parte do grupo criminoso, mas teria passado a colaborar como informante, tornando-se alvo da organização.

Segundo as investigações, Starley e os outros policiais identificados como Anemésio Silva da Cunha e Everson Brasil da Silva, seriam remunerados por empresários ligados ao garimpo clandestino para prestar apoio à organização criminosa. Em uma das gravações, um dos investigados afirma que o “patrão manda o Pix”, indicando que os pagamentos eram realizados diretamente pelos financiadores das atividades ilegais.

De acordo com o processo, o grupo não atuava apenas na proteção dos interesses do garimpo. As interceptações também apontam que os envolvidos planejavam ações contra pessoas consideradas ameaças à organização, incluindo possíveis execuções. As conversas revelam uma estrutura organizada, com divisão de funções e comunicação constante entre os participantes.

Foto: Divulgação

O que diz a PMRR

A Polícia Militar de Roraima informa que, instaurou Conselho de Disciplina para apurar a permanência de três policiais militares, em razão de fatos investigados na esfera criminal.

O procedimento administrativo, previsto na legislação militar, avalia a compatibilidade da permanência dos policiais na Corporação, com garantia do contraditório e da ampla defesa.

Durante a tramitação do processo, os policiais permanecerão afastados das atividades operacionais. Ao final, o Conselho poderá recomendar a exclusão dos militares, caso sejam constatadas incompatibilidades para o exercício da função, observados os trâmites legais.

PCRR aguarda manifestação da Justiça

A Polícia Civil de Roraima informa que, o inquérito policial que apura os fatos relacionados ao caso, permanece em andamento no âmbito da Delegacia-Geral de Homicídios. No decorrer das investigações, foram realizadas novas representações e outras diligências necessárias para o completo esclarecimento dos fatos.

Neste momento, a PCRR aguarda manifestação do Poder Judiciário para dar continuidade às medidas investigativas pendentes e, posteriormente, concluir o procedimento.

A PCRR esclarece ainda que, os investigados respondem ao processo em liberdade, conforme determinação judicial. Por se tratar de investigação em andamento, outras informações não podem ser divulgadas neste momento, a fim de preservar a regularidade das apurações.