22 de julho de 2026 23:48

Delegado denunciado por violência doméstica em Roraima teria deixado o estado

Delegado da Polícia Civil é alvo de quase 50 ações por abuso de poder e ameaça contra mulher em RR (foto: Facebook)

O delegado da Polícia Civil de Roraima Alexandre Henrique de Matos Lima, titular da Polinter, teria deixado o estado após ser denunciado pela própria esposa por violência psicológica. O portal O Caburaí teve acesso ao boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, à portaria de afastamento do delegado e a informações de que a vítima já possui medida protetiva de urgência. A Justiça também teria determinado o uso de tornozeleira eletrônica.

O boletim de ocorrência, registrado no dia 17 de junho, relata que a esposa informou aos policiais estar vivendo um processo de separação conturbado e que o delegado apresentava comportamento alterado e episódios de surto, o que, segundo ela, causava medo à família. Com receio de encontrá-lo, ela solicitou apoio da Polícia Militar para retirar seus pertences da residência.

Um dia depois, a Polícia Civil publicou portaria afastando Alexandre Henrique da chefia da Polinter por licença médica, no período de 15 a 29 de junho, sendo designado outro delegado para responder pela unidade.

Segundo informações obtidas pela reportagem, nesse período o delegado deixou Roraima e está em Minas Gerais, onde permanece com familiares, mesmo diante de uma decisão judicial que teria determinado o uso de tornozeleira eletrônica.

Procurada, a Polícia Civil não respondeu aos questionamentos específicos sobre a saída do delegado do estado nem sobre o cumprimento da decisão judicial. Em nota, limitou-se a informar que “o caso tramita em segredo de justiça e que todas as medidas e determinações judiciais, no âmbito da corporação, foram adotadas tempestivamente”.

A manifestação, no entanto, não esclarece se a tornozeleira eletrônica foi efetivamente instalada, quando o delegado deixou Roraima, se houve autorização judicial para a viagem, nem se a instituição comunicou o deslocamento às autoridades responsáveis pelo cumprimento da medida.

Fontes ouvidas pela equipe do O Caburaí afirmam que houve uma articulação para facilitar a saída do delegado de Roraima antes do cumprimento da decisão judicial.

Também há relatos de que a licença médica poderá ser renovada em razão de problemas psicológicos.

Perguntas sem respostas

Como um delegado alvo de medida protetiva e de decisão judicial para uso de tornozeleira eletrônica conseguiu deixar o estado?

A saída ocorreu antes ou depois da determinação judicial?

Houve autorização da Justiça para que ele viajasse a Minas Gerais?

A tornozeleira eletrônica chegou a ser instalada antes da viagem?

A Polícia Civil comunicou o deslocamento às autoridades responsáveis pela fiscalização da medida?

Caso a tornozeleira ainda não tenha sido instalada, como será garantido o cumprimento da determinação judicial enquanto o delegado permanece fora de Roraima?