27 de abril de 2026 22:17

Cassação de Cláudio Castro pressiona Cármen Lúcia a pautar caso de Antonio Denarium

cassação do governador do Rio, Cláudio Castro, na noite de ontem, intensificou os questionamentos sobre por que a presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, ainda não pautou o processo envolvendo o governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), que está há dois anos parado na Corte.

LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova

Ministros ouvidos pela coluna, sob reserva, afirmam esperar da presidente a mesma postura adotada no caso do governador do Rio, quando agendou o julgamento mesmo com pedido de vista em andamento — medida considerada incomum — para acelerar o desfecho. Castro e seu vice foram declarados inelegíveis por oito anos em julgamento concluído nesta terça-feira (24/4).

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Diferentemente de Castro, que havia sido absolvido na Justiça estadual, Denarium e o vice, Edilson Damião (Republicanos), já foram cassados quatro vezes pelo Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR), em decisões relacionadas a abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Como o TSE ainda não julgou os recursos, ambos permaneceram nos cargos.

Os ministros Isabel Gallotti e André Mendonça já votaram a favor da cassação e da inelegibilidade do governador e de seu vice.

O ministro Nunes Marques, que havia pedido vista, devolveu o processo para julgamento no dia 21 de fevereiro. Cabe, portanto, à presidente do tribunal incluí-lo na pauta.

A coligação “Roraima Muito Melhor”, autora da ação, apresentou recurso solicitando a reinclusão do processo em pauta e seu julgamento com a celeridade.

Em carta ao TSE, o líder indígena Davi Kopenawa alertou que a demora no julgamento contribui para o agravamento da crise humanitária na Terra Yanomami e cobrou a retomada urgente da análise do caso.

Pela legislação eleitoral, o prazo de desincompatibilização para governadores que pretendem concorrer ao Senado se encerra em 4 de abril, um ano antes das eleições de outubro. Denarium antecipou sua renúncia para 27 de março, quando será sucedido por Edilson Damião.

A saída do cargo, no entanto, não impede que o TSE confirme, ao julgar o recurso, a perda do mandato e a inelegibilidade — situação semelhante à de Cláudio Castro.

Com informações do Metrópoles