Especialista afirma que os EUA tentam dominar a América Latina para gerar embargos aos países que consomem ou podem consumir minérios que gerem saltos tecnológicos e científicos.

Diante da crise política venezuelana, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um acordo com a Venezuela para o envio de até 50 milhões de barris de petróleo ao mercado norte-americano. O produto será transportado por navios-tanque diretamente para terminais de descarga nos portos americanos.
Com isso os EUA intensificam seu papel estratégico na Venezuela, que é detentor de uma das maiores reservas de petróleo do mundo, mas com produção severamente reduzida ao longo dos últimos anos devido à crise interna e às sanções internacionais.
O Ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, confirmou que o preço do petróleo em todo mundo pode ser afetado após a Venezuela entregar 50 milhões de barris para os Estados Unidos.
“Isso pode acontecer em curto prazo porque representa uma oferta adicional comercializável no mercado físico e financeiro. O anúncio dessa medida teve efeito imediato de queda nos futuros referenciais de preço de petróleo bruto em sessões recentes, refletindo a percepção de maior oferta disponível. No entanto, isso não significa um choque de oferta estrutural, porque a produção venezuelana é hoje relativamente pequena, cerca de 800 a 900 mil barris por dia, muito abaixo de países como Arábia Saudita ou EUA, e os volumes liberados inicialmente são limitados”, explicou.
Prates disse que esse acordo não resolve os problemas estruturais da indústria petrolífera venezuelana e que problemas estruturais impedem o país vizinho de aumentar a produção de petróleo.
“Analistas estimam que seriam necessários dezenas de bilhões de dólares e anos de reformas legais e políticas para recuperar a capacidade produtiva. Falta de investimento e capital externo tem sido um obstáculo desde que a Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) se degradou tecnicamente e financeiramente. Sanções internacionais, especialmente dos EUA, romperam exportações tradicionais, reduziram acesso a mercados e impediram financiamento”, pontuou.
Os prejuízos ao Brasil e os novos interesses dos EUA
O Cientista Político de Roraima, Paulo Racoski, que analisou um prejuízo nas exportações brasileiras para o país vizinho, tendo em vista que o estado nunca teve um grande incentivo financeiro para o seu próprio desenvolvimento.
“Roraima é o estado mais insular do Brasil, e nunca ocorreu e tão pouco houve incentivo para uma interligação petrolífera entre o estado de Roraima via Venezuela para se criar um sistema de refino a partir de uma empresa brasileira ou multinacionais, logo, o norte do país não teve nenhum impacto de desenvolvimento geopolítico na história, e isso significa que o estado é esquecido pelos entes da federação. E agora o que ocorre atualmente é que o Brasil perde com a exportação, inclusive muitos produtos que saem de Manaus, no Amazonas, e da capital Boa Vista em Roraima, como óleos vegetais, soja, madeira, e principalmente alimentos. Esse impacto será de 30 a 60 dias, porque a instabilidade política ainda é evidente”, alertou.
Para o especialista, existe um interesse estratégico estadunidense para impedir o desenvolvimento de outros países aliados das Américas. Segurar as riquezas desses países é uma medida que afeta diretamente a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
“Os Estados Unidos entendem que toda América, do Alasca à Patagônia é zona estratégica e necessária para a manutenção de interesses políticos e militares, como centro de poder. Além do petróleo, gás e terras raras da Venezuela, ainda há um interesse grande no sistema de extração mineral do próprio México. Os EUA tentam fazer das Américas o que costumeiramente chamam de ‘Retaguarda Otana’. Outro ponto é impedir o envio de riquezas que possam gerar saltos tecnológicos e científicos para servir interesses da Rússia, Ucrânia, Índia, China”, explicou Racoski.
As terras Raras no Brasil
As terras Raras são um conjunto de 17 elementos da tabela periódica com propriedades físicas e químicas semelhantes, e são minerais estratégicos para a indústria. Não são materiais difíceis de encontrar na natureza, no entanto a extração e processamento são mais complexos e caros.
De acordo com o relatório lançado em novembro do ano passado pelo Banco de Investimento da América Latina, BTG Pactual, a região deve liderar o crescimento da produção de óxidos de terras raras entre 2025 e 2029, saltando de 0,6 mil toneladas para 7,5 mil toneladas nesse período.
O Brasil vem ganhando destaque no cenário global das terras raras ao concentrar a segunda maior reserva do mundo, estimada em 21 milhões de toneladas. O volume expressivo, aliado ao baixo custo de exploração e à elevada presença de elementos pesados (mais raros e de maior valor econômico) coloca o país como uma alternativa estratégica ao domínio asiático nesse mercado