
Em meio aos bastidores do movimento junino em Roraima, uma declaração do ex-vereador de Boa Vista, Sandro Baré, gerou forte repercussão nas redes sociais e entre integrantes de quadrilhas juninas. O episódio envolve críticas direcionadas à noiva de uma tradicional agremiação cultural e reacendeu debates sobre respeito, rivalidade e limites no cenário das disputas culturais do estado.
O Secretário Adjunto de Cultura do Governo, Sandro Baré, teria feito comentários considerados ofensivos e depreciativos contra a noiva de uma quadrilha junina, utilizando termos irônicos para questionar a escolha da representante. A fala rapidamente repercutiu entre quadrilheiros, apoiadores da cultura popular e usuários das redes sociais, que passaram a cobrar respeito às participantes do movimento cultural.
Nos últimos anos, grupos culturais vêm denunciando dificuldades estruturais, falta de diálogo com o poder público e episódios de desvalorização do segmento. Em 2024, por exemplo, quadrilheiros chegaram a emitir nota pública criticando mudanças no calendário oficial dos festejos promovidos pelo Governo de Roraima, classificando a condução do evento como desrespeitosa com quem trabalha durante todo o ano para manter viva a tradição junina.
O caso envolvendo Sandro Baré também amplia o debate sobre o comportamento de figuras públicas diante de manifestações culturais populares. E até o momento, o Governo do Estado não se pronunciou sobre o episódio.
Ex-vereador de Boa Vista por dois mandatos, Sandro Baré foi nomeado secretário-adjunto da Secretaria de Cultura e Turismo de Roraima, meses depois de o ex-parlamentar ter sido alvo de investigação durante as eleições de 2024, quando foi preso pela Polícia Federal após denúncia anônima. Na ocasião, agentes encontraram mais de R$ 50 mil em espécie e uma arma de fogo em sua residência.
O Ministério Público de Roraima também chegou a mover ação por suspeita de corrupção eleitoral e pediu a inelegibilidade do ex-vereador.