7 de março de 2026 13:28

A Polícia Militar é uma instituição que atende interesses de Estado ou de políticos?

Foto Oseias Martins

Mais uma vez governistas ultrapassam os limites da moralidade, porque os limites da legalidade já foram rompidos há muito tempo com quatro condenações de crimes escancarados. Acontece que a política em Roraima tem se moldado a um novo alinhamento ideológico que cria uma narrativa de que o errado é certo, e as consequências disso são os aplausos de uma parte da população que aceita calada, talvez alguns engolem seco.

A Major da Polícia Militar, Adriane Severo, é também conhecida nas redes sociais pelos seus críticos posicionamentos sobre a falta de valorização na PMRR. Todos os seus posicionamentos são coerentes, todas as suas afirmações não são apenas percepções e tudo o que ela tem dito sobre os desafios da segurança pública, nunca foi contestado nem por Comandante da Polícia Militar e nem por Governador de Estado.

Mas é muito preocupante que um Comandante da Polícia Militar, no caso, Overlan Lopes, se manifeste publicamente contra policiais que desaprovam o atual governo. Isso aconteceu nesta semana, durante a inauguração da pedra fundamental da nova sede do Iper (Instituto de Previdência do Estado de Roraima). A instituição deveria se pautar pela neutralidade política, mas na verdade se alinhou totalmente a uma questão ideológica.

Overlan talvez não saiba, ou talvez não queira saber, mas a Polícia Militar é composta por cidadãos que, apesar da farda, não deixam de ter pensamento crítico e direito à opinião. Quando o comando máximo da corporação passa a tratar a divergência política como um problema ou uma afronta, cria-se um ambiente de intimidação e silenciamento, incompatível com os princípios democráticos que deveriam nortear as forças de segurança pública. E muito se fala no Brasil sobre liberdade de expressão, principalmente em Roraima. Para alguns e para outros não?

O mais grave disso tudo é que a Polícia Militar de Roraima também atua nas Eleições, garantindo a lei e a ordem, além de auxiliar órgãos. Neste ano, podemos confiar em uma polícia que tem um comandante fazendo uma possível campanha antecipada para Edilson Damião?

Overlan olhava para frente e via Edilson Damião, logo, o chamava de futuro Governador. Do seu lado direito, Antonio Denarium, que também sonha muito, é o atual Governador do estado. Do lado esquerdo, o ex-comandante da Polícia Militar, Miramilton Goiano. Overlan não percebeu que estava cercado de pessoas investigadas por diversos crimes que foram noticiados nacionalmente? Esqueceu, será?

O comandante que fala publicamente que uma Major da PMRR não tem compromisso com o estado e não tem compromisso com as pessoas, ainda complementa dizendo que está sendo apurado e investigado tudo o que foi dito, se comporta como comandante? E mais, isso deveria mesmo ser tratado publicamente para atingir uma mulher que luta por direitos? Será ainda que podemos confiar nessa apuração?

Adriane Severo é gigante, é uma voz ativa, uma representação da segurança pública, e acima de tudo, uma mulher cidadã exercendo e cobrando direitos. O gestor que não se agrada com críticas, ainda precisa aprender a ser gestor.

Diante desse cenário, é legítimo perguntar: que tipo de Polícia Militar queremos em Roraima? Uma polícia comprometida com a Constituição e com o povo, ou uma polícia instrumentalizada por interesses políticos?

Comandante da PMRR em evento com Governador Antonio Denarium