
Solto neste sábado (26) após passar a noite no Centro de Progressão Penitenciária (CPP), o candidato a deputado federal Daniel Trindade (PL) afirmou, em entrevista exclusiva à Folha BV, que foi vítima de uma “absoluta perseguição política” e negou as acusações que levaram à prisão em flagrante durante a Operação Cunhambebe.
A Justiça concedeu liberdade após audiência de custódia, mediante fiança de R$ 10 mil e obrigação de comparecimento bimestral aos atos judiciais. Trindade havia sido preso na sexta-feira (25), durante o cumprimento de mandados da Polícia Federal (PF), após a apreensão de aproximadamente R$ 2,5 mil e materiais que, segundo a investigação, poderiam indicar crime eleitoral.
Na entrevista, porém, Trindade afirmou que o dinheiro encontrado com ele não tinha relação com compra de votos. Segundo o candidato, as anotações de suposta boca de urna, na verdade, se tratavam de pesquisas internas. Ele apresentou à reportagem um envelope envolvido pela PF com documentos que, segundo ele, foram apreendidos, digitalizados e posteriormente devolvidos.
Trindade também contestou as anotações encontradas durante a operação. Conforme sua versão, os papéis não comprovam pagamento de eleitores e parte deles seria relacionada a atividades de sua equipe.
‘Perseguição política’
O candidato atribuiu a operação a uma suposta perseguição de um adversário político, cujo nome não mencionou. Segundo ele, esse político teria feito ameaças anteriores e afirmado que trabalharia para impedir sua eleição.
Trindade afirmou ainda que registrou um boletim de ocorrência após se sentir ameaçado. Para ele, a operação ocorreu em um momento politicamente estratégico, um dia depois da divulgação de uma pesquisa eleitoral na qual, segundo sua própria declaração, aparecia em posição de destaque.
Ele também questionou a realização das buscas em sua residência, fazenda e comitê político. Segundo Trindade, os agentes não encontraram nesses locais materiais que comprovassem as suspeitas investigadas.
Cursos de segurança
Sobre a investigação que motivou a Operação Cunhambebe, o candidato negou que tenha criado ou treinado uma milícia armada na Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Ele afirmou que o Instituto Avançar, ligado a ele, oferece cursos profissionalizantes de agente de portaria e segurança privada há anos em diferentes comunidades.
Trindade sustentou que os cursos são de segurança privada e agente de portaria, e não de formação de vigilantes. Por isso, segundo ele, não haveria necessidade de autorização da PF nos moldes exigidos para cursos de vigilância.
O candidato afirmou ainda que os cursos são divulgados publicamente nas redes sociais desde 2023 e citou como exemplo a contratação de oito alunos formados pelo instituto para trabalhar como agentes de portaria em um shopping.
A Operação Cunhambebe, por outro lado, investiga a realização de cursos de segurança privada supostamente sem autorização e a possível atuação de um grupo organizado para dificultar ações de órgãos públicos na Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Daniel Trindade nega veementemente a acusação.
Algemado e impacto na campanha
Trindade também criticou o fato de ter sido algemado durante a prisão. Ele afirmou que não reagiu à abordagem e considerou o uso das algemas uma forma de constrangimento.
Para o candidato, a divulgação das imagens em que aparece algemado prejudicou diretamente sua campanha. Apesar disso, Trindade disse acreditar que os eleitores conhecem seu trabalho e afirmou que continuará na disputa.
Expectativa sobre o processo
Questionado sobre o andamento dos procedimentos e a possibilidade de ser inocentado, Trindade afirmou que espera o arquivamento das duas investigações relacionadas ao caso.
O candidato também afirmou que nunca teve condenação criminal e diferenciou a existência de investigações ou processos de uma condenação definitiva.
Durante a entrevista, Trindade apresentou documentos que, segundo ele, sustentam sua versão. Entre eles estavam o mandado de busca e apreensão, suas declarações prestadas durante a operação, o interrogatório realizado após a prisão em flagrante, o termo de declaração de uma funcionária que foi conduzida e posteriormente liberada e documentos que, segundo ele, foram apreendidos e devolvidos pela PF.
Ao final, Trindade reafirmou a candidatura e disse que pretende seguir a campanha normalmente enquanto responde às investigações em liberdade.
Com informações da FolhaBV