
A fidelidade quase sempre é condicionada ao tempo, ao poder e às urnas. A ascensão de Edilson Damião (UB) ao comando do Estado, após a saída de Antonio Denarium (PP) sob a sombra de uma possível cassação pelo TSE, carrega uma dúvida que pode pesar muito nos próximos meses.
Ao afirmar que faria poucas mudanças no secretariado, Damião sinalizou continuidade, e mais do que isso, gratidão política, devido a trajetória construída por Denarium.
Historicamente, governadores que assumem em contextos semelhantes enfrentam um dilema clássico: permanecer como extensão de quem saiu ou construir uma identidade própria.
Até as eleições, a tendência de Damião será de manutenção dessa fidelidade? Se Damião sair fortalecido das urnas, com legitimidade própria, a pressão por autonomia será inevitável. Nesse ponto, manter-se excessivamente atrelado a Denarium pode ser limitação.
No fim das contas, a fidelidade de Damião a Denarium será testada com o viés de sobrevivência política.