
A política roraimense vive mais um capítulo de reviravoltas com a decisão do Senador Mecias de Jesus (Republicanos) de assumir a vaga no Tribunal de Contas do Estado de Roraima (TCE-RR). O episódio escancara um problema recorrente na política brasileira: quando decisões institucionais, aparentemente passam a ser tratadas como peças de cálculo eleitoral.
Assista ao vídeo:
Durante semanas, o cenário político ficou suspenso entre possibilidades. Mecias poderia assumir o TCE, disputar novamente o Senado ou até cogitar outros caminhos políticos. Essa indefinição cria um efeito dominó que paralisa articulações, trava alianças e gera insegurança entre partidos e lideranças que tentam se organizar para as próximas eleições. Estratégia, malícia.
Em estados menores como Roraima, onde poucas lideranças concentram grande peso político, esse tipo de hesitação tem impacto ainda maior.
Mas o que fez Mecias recuar? Por que aceitou a vaga de Conselheiro mesmo após anunciar publicamente que disputaria o Senado contra ou ao lado de Antonio Denarium (PP)? Falta palavra? Falta coragem? Ou tudo não passou de um possível “grande acordo”?
Além do impacto político, existe também uma questão institucional. Uma vaga em um tribunal de contas não deveria ser vista como plano alternativo de carreira política, mas como uma função técnica e permanente de fiscalização do dinheiro público. Quando a decisão de assumir ou não o cargo depende do cálculo sobre qual posição garante mais poder político, a credibilidade das instituições inevitavelmente entra em debate.
No fim das contas, esse é um jogo que pouco contribui para as soluções que a população realmente espera.