7 de março de 2026 23:14

Empresário e familiares são condenados por garimpo ilegal em terra indígena

Foto: Reprodução

O juiz federal Victor Oliveira de Queiroz proferiu sentença nesta quinta-feira 29/1, que condena o empresário Rodrigo Martins de Mello, mais conhecido como Rodrigo Cataratas, o filho Celso Martins de Mello, a irmã Brunna Martins de Mello e o suposto parceiro do grupo, Leonardo Kássio Arno, em ação relacionada à exploração ilegal de mineração na Terra Indígena Yanomami, em Roraima.

Segundo a decisão, Rodrigo Cataratas foi apontado como líder de uma organização criminosa estruturada para usurpar recursos minerais em área indígena, com crimes ambientais, logística e comércio ilícito, lavagem de dinheiro e usurpação mineral. O juiz considerou ainda a atuação de empresas de fachada e uma rede logística com uso de aeronaves para abastecer e sustentar as atividades ilegais.

O empresário foi condenado a 16 anos e 7 meses de reclusão em regime inicialmente fechado, além de multa e indenização que somam mais de R$ 31 milhões. Seu filho recebeu pena de oito anos e oito meses, e Brunna, que já concorreu a vereadora em Boa Vista, foi condenada a oito anos e oito meses de reclusão, assim como Arno, que teria servido como “testa de ferro” na estrutura do grupo. Todos também foram condenados ao pagamento de multas e indenizações por danos ao meio ambiente.

A sentença ainda determinou o confisco de 23 aeronaves e caminhões relacionados ao esquema, entregues à União por terem sido usados para dar suporte ao garimpo ilegal.

Em contraste, o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de Boa Vista, Marcelo Vieira de Carvalho, conhecido como Marcelo Milenium, foi absolvido. O magistrado entendeu que não ficou comprovada sua participação relevante nos fatos ou vínculo direto com a organização criminosa, afastando também a acusação de integração ao grupo que promovia a mineração ilegal.

Advogados dos condenados declararam à imprensa que vão recorrer da decisão.