7 de março de 2026 19:10

Relator do Master no TCU enviou emendas a RR sem prestação de contas

O ministro Jhonatan de Jesus, do TCU, na época em que atuou como deputado federal. (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

O ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), relator do processo que analisa a liquidação do Banco Master, destinou ao menos R$ 42 milhões em emendas parlamentares para Roraima que resultaram em obras inacabadas, asfaltos deteriorados e ausência de prestação de contas. A maior parte dos recursos, indicada entre 2020 e 2023, quando ele era deputado federal, teve como principal destino o município de Iracema, no interior do estado.

Levantamento do Estadão publicado nesta segunda (12) mostra que R$ 25,8 milhões em emendas instantâneas – as chamadas “emendas PIX” – não tiveram qualquer relatório apresentado, em descumprimento a exigências do Supremo Tribunal Federal (STF) e do próprio TCU. Só a prefeitura de Iracema recebeu R$ 11,7 milhões sem informar oficialmente como o dinheiro foi gasto.

Procurados pela reportagem, o ministro e a prefeitura de Iracema negaram as irregularidades.

Para avaliar a execução das emendas, a reportagem viajou até a cidade de Iracema e encontrou, na zona rural do município, mais de 60 quilômetros de estradas que deveriam ter sido recuperadas ou asfaltadas com o dinheiro das emendas, mas que seguem em condições precárias com buracos e lama no período de chuvas.

Também foi localizada apenas uma casa abandonada em um conjunto habitacional que previa 300 moradias populares prometidas para entrega a partir de 2024.

Os planos de trabalho apresentados para justificar o uso das verbas trazem descrições genéricas, erros e sequer foram aprovados pelo governo federal. Em um dos casos, o documento indica execução da obra em outro município, a mais de 200 quilômetros de distância, além de movimentação irregular de diferentes emendas em uma mesma conta bancária.

Iracema foi governada até 2024 por Jairo Ribeiro (Republicanos-RR), aliado político de longa data do ministro, preso no ano passado por compra de votos durante a eleição municipal. A investigação também apura suspeitas de caixa dois, ampliação artificial do eleitorado e possível enriquecimento ilícito, com relatos de repasses de até R$ 250 mil para a campanha.

Com informações do Estadão