7 de março de 2026 18:06

A sucessão e o vazio de propostas em Roraima

A declaração dada à Rede Amazônica, do vice-governador Edilson Damião de que assumiria o Governo de Roraima caso o governador Antonio Denarium se candidate ao Senado revela a antecipação de uma disputa política que pouco dialoga com os problemas urgentes do estado.

Damião e Denarium programam mudança para 2026

Ao tratar a sucessão como algo quase automático, a fala de Damião reforça a ideia de continuidade administrativa em um estado marcado por crises recorrentes na saúde, gargalos na infraestrutura, denúncias de má gestão e desigualdades regionais profundas entre os municípios, o debate sobre quem assume o poder não pode se limitar a uma troca de cadeiras.

A declaração soa mais como um movimento de acomodação política, mesmo tendo falando algumas políticas públicas à emissora. Damião parece estar mais preocupado com o calendário eleitoral do que com o que precisa ser feito no Estado, que não foi feito em dois mandatos.

Em um contexto de descrédito da política e de cansaço social, Roraima precisa de mais do que anúncios estratégicos, de gente que quer trabalhar de verdade, que não tenha nome manchado e em destaque na imprensa nacional.

A população espera saber não apenas quem pode assumir o governo, mas como pretende governar, e para quem. Sem isso, declarações como a de Edilson Damião tendem a reforçar a percepção de distanciamento entre o poder público e a realidade vivida pelos roraimenses.