7 de março de 2026 18:05

Escândalo da Cota de Gênero: Ex-Vereador Confessa Fraude em Detalhes e Ameaça Cassação de Mandatos em Boa Vista

Foto: Arquivo Pessoal

Uma grave denúncia de fraude eleitoral, detalhada em juízo por um ex-membro do partido Democracia Cristã (DC), acalora o cenário político de Boa Vista. O ex-vereador e segundo suplente Ruan Kenobby apresentou à Justiça Eleitoral alegações finais onde descreve minunciosamente um suposto esquema de candidaturas “laranjas” ou fictícias montado pelo partido para burlar a legislação da cota de gênero nas eleições municipais de 2024.

Kenobby afirmou categoricamente que cerca de 90% das candidatas mulheres foram registradas apenas para o cumprimento formal da cota mínima exigida (30% de candidaturas femininas), sem intenção real de campanha. O depoimento de Kenobby é o ponto central em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que tem o potencial de cassar os mandatos dos vereadores mais votados da sigla: Roberto Franco (o mais votado do pleito) e Adnan Lima.

Em seu relato, o ex-vereador colocou Franco e Lima no centro da articulação. “Tanto o Vereador Adnan como o Vereador Roberto Franco tinham conhecimento de tal situação e participaram ativamente na preparação das referidas candidaturas ‘FAKES’, inclusive os mesmos sendo os cabeças de tal operação”, destacou no documento judicial obtido pela Folha de Boa Vista.

Para sustentar a acusação, Kenobby detalhou o mecanismo financeiro do esquema. Ele alega que havia um acordo para repassar, mensalmente, R$ 1.000,00 (mil reais) para custear cada uma das candidaturas falsas. O ex-vereador juntou comprovantes de depósito, incluindo um de R$ 1.200,00 para Adnan Lima, que, segundo a alegação, seria referente à sua “cota” mensal de duas candidatas. Em outras oportunidades, o dinheiro teria sido entregue em espécie a Lima ou ao então presidente municipal do DC, Dermailton Bezerra, o Miúdo, numa tentativa de evitar rastros bancários.

A denúncia ainda aponta a inclusão de uma candidata que recebeu apenas 20 votos, apesar de possuir mais de cinco mil seguidores em uma rede social, e que seria esposa de um funcionário de Kenobby na época. O ex-vereador apresentou fotos e registros para comprovar que o funcionário, durante a campanha, teria atuado ativamente para a reeleição de Kenobby, e não para a esposa.

A decisão final sobre a validade dos votos e os mandatos está agora nas mãos da Justiça Eleitoral. Por mais que pareça lógico que Kenobby tenha denunciado após o pleito, será que o mesmo o faria se tivesse sido eleito?