7 de março de 2026 18:18

A imoralidade dos pedidos de vista e o teatro da cassação de Denarium

Divulgação redes sociais

O processo de cassação do governador Antonio Denarium, que se arrasta há meses no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), virou uma verdadeira novela política, e não por falta de provas, mas por excesso de manobras. A cada novo capítulo, a sensação é de que a justiça eleitoral brasileira se transforma em palco de conveniências, onde a moralidade e o respeito ao voto popular são substituídos por estratégias de adiamento e acordos velados.

Os pedidos de vista, tão comuns nos tribunais superiores, são instrumentos legítimos quando usados com responsabilidade. No entanto, no caso de Denarium, tornaram-se ferramentas de procrastinação imoral, usadas para enfraquecer o sentido da própria justiça.

O que deveria ser um breve intervalo para análise aprofundada, virou escudo político e tática de bastidor. É a velha prática do “ganhar tempo”, tempo este que favorece quem está no poder, desequilibra o jogo democrático e mina a confiança da população nas instituições.

Roraima assiste, perplexa, a um julgamento que não termina nunca, mesmo diante de denúncias graves de abuso de poder político e econômico. O governador, que deveria responder com transparência e serenidade, segue governando como se nada estivesse em curso. Enquanto isso, o TSE parece ceder à lógica da conveniência, deixando a moral pública em segundo plano.

Em qualquer democracia madura, a morosidade em um processo dessa magnitude seria inaceitável. A demora não é apenas uma questão jurídica, é política e ética. Cada pedido de vista adiado sem justificativa sólida é um golpe na esperança de um julgamento justo e célere. É um insulto à sociedade roraimense, que merece clareza, não manobras.

A cassação de Denarium deveria ser tratada com a seriedade que o caso exige. O tribunal não pode continuar servindo de abrigo para decisões que parecem calculadas para se alinhar a interesses eleitorais. A justiça não pode se dar ao luxo de parecer parcial e, no caso de Roraima, a aparência de conivência já é, por si só, uma mancha.

Em resumo, o problema não é apenas Denarium, é o sistema que permite que um “pedido de vista” se transforme em uma cortina de fumaça para encobrir a falta de coragem de julgar. Quando o tempo vira estratégia, a justiça perde o sentido. E o povo, mais uma vez, paga a conta da imoralidade travestida de legalidade.