
O julgamento que o Tribunal Superior Eleitoral retoma nesta terça-feira não diz respeito apenas ao destino jurídico de Antonio Denarium, mas à saúde moral da política em Roraima. Quando um governador chega à mais alta corte eleitoral do país sob acusação de compra de votos, o problema já não é mais apenas dele, é de todo um sistema político que parece se habituar à instabilidade e à desconfiança.
As acusações feitas ao Governador de Roraima, Antonio Denarium, e o Vice-governador, Edilson Damião, são procedentes, e trata‐se de algo que mina diretamente a legitimidade do mandato. Um gestor público que enfrenta esse tipo de acusação no Tribunal Superior Eleitoral, acende um sinal de alerta sobre ética, transparência e respeito à população.
O ambiente político fica carregado de incertezas e a imagem institucional na lama mais uma vez faz parte da história do estado. Além disso, projetos e políticas públicas no governo atual perderam força e credibilidade. Governistas esquecem que enfrentamos os mesmos problemas estruturais desde que Denarium assumiu como Governador pela primeira vez: saúde, educação, infraestrutura.
Um chefe do Executivo que precisa dividir a atenção entre administrar um estado e defender o próprio mandato vive em contradição com a narrativa de eficiência que tenta vender na imprensa nacional. É difícil falar em “progresso” quando o principal tema político do estado é o julgamento que pode cassar o seu chefe maior.