7 de março de 2026 15:42

De novo: Denarium diz à imprensa que é “pai” do Linhão de Tucuruí

Foto: Reprodução/ Entrevista ao Portal Poder 360

É inegável que a conexão elétrica ao Linhão de Tucuruí (e a entrada efetiva no Sistema Interligado Nacional) representam um marco técnico importante para Roraima. E mais uma vez o Governador de Roraima, Antonio Denarium (PP) tenta ganhar mérito por isso.

Em entrevista ao Portal Poder 360, Denarium disse que como Governador e Empresário, ele começou “um grande trabalho” para resolver esse gargalo que o estado enfrentava. Parece que ele esqueceu o papel da União. Não obstante, Os Senadores pró-garimpo, Mecias de Jesus (Republicanos), Hiran Gonçalves (PP) e Chico Rodrigues (PSB), também reivindicam protagonismo com a chegada do Linhão.

O Chefe do Poder Executivo não entende sobre esforço coletivo e histórico, na verdade não é possível entender que estratégia de “ser dono de tudo” o levaria a aceitação popular.

E assim disse em entrevista: “Acabou o comissionamento e nós temos hoje, de forma permanente, o fornecimento de energia elétrica, que está conectado no SIN”.

Denarium ainda não foi informado que o Linhão supre 55% da energia do estado, enquanto as termelétricas cuidam do resto, ou seja, mesmo com a chegada de toda estrutura energética, os contratos com a empresa Roraima Energia e outras empresas privadas, continuam valendo, como já foi reconhecido pelo Ministério de Minas e Energia para a imprensa.

Elemento eleitoral e simbólico

O uso da infraestrutura como símbolo de virada serve a uma narrativa política que beira os limites da legalidade que o separa do período pré-eleitoral ou de campanha. Atribuir a “autoridade do governador” méritos que claramente dependem de decisões federais, de empresas concessionárias, de licenciamento ambiental e de cooperação com diversos entes pode ser visto como propaganda institucional.

É um projeto que atravessou mais de uma década de entraves técnicos, judiciais e ambientais, e só avançou graças a um acordo complexo entre União, Funai, comunidades indígenas, empresas e órgãos ambientais. O governador pode ter tido um papel de articulação, mas tratá-lo como protagonista único é uma releitura conveniente dos fatos, e perigosamente oportuna em um ano que antecede o período eleitoral.

Fonte: Poder 360