10 de setembro de 2026 01:35

agosto 29, 2026

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Prefeitura de Boa Vista recebe Selo UNFPA por ações de enfrentamento à violência contra a mulher

Iniciativas desenvolvidas pelo município foram reconhecidas durante o Seminário Poderosas da Amazônia – Direitos, Autonomia e Igualdade A Prefeitura de Boa Vista recebeu, nesta quinta-feira (27), o Selo do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) em reconhecimento às ações desenvolvidas pelo município para fortalecer as políticas públicas de proteção e enfrentamento à violência contra a mulher. A entrega ocorreu durante o “Seminário Poderosas da Amazônia – Direitos, Autonomia e Igualdade”, realizado no Aipana Plaza Hotel,  dentro da programação do Agosto Lilás. O reconhecimento contempla ações desenvolvidas nas áreas de saúde, assistência social e segurança, que atuam de forma integrada na prevenção da violência, no atendimento e na proteção das mulheres. Na área da saúde, foram reconhecidas iniciativas desenvolvidas na Atenção Primária, que contribuem para a prevenção, identificação de situações de violência, acolhimento e encaminhamento das mulheres para a rede de proteção. Na assistência social, o destaque são as ações e projetos voltados às mulheres, com iniciativas que fortalecem o acesso a direitos, a autonomia e o atendimento às que se encontram em situação de vulnerabilidade ou violência. Já na segurança, a Patrulha Maria da Penha foi homenageada pelo trabalho de acompanhamento e proteção de mulheres que possuem medidas protetivas, contribuindo para a prevenção de novos episódios de violência. “Esse prêmio comprova que a cidade é destaque nacional na redução da mortalidade materna, no acesso ao planejamento familiar e no combate à violência contra a mulher. É um reconhecimento internacional do trabalho da Prefeitura de Boa Vista, que acolhe e protege todas as mulheres da nossa Amazônia.”destacou a secretária-adjunta da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SEMADS), Amanda Rosas. Dois anos de trabalho conjunto O reconhecimento é resultado de dois anos de trabalho conjunto entre instituições, com ações consideradas transformadoras para o fortalecimento dos serviços públicos de enfrentamento à violência baseada em gênero e da sociedade civil. Ao todo, 18 instituições participaram da iniciativa em Roraima, e seis receberam o Selo UNFPA pelas ações desenvolvidas. Outras instituições também receberam placas de homenagem pela contribuição no enfrentamento à violência contra a mulher. O seminário reuniu representantes de instituições públicas, organismos internacionais e sociedade civil, entre elas Fiocruz, UNFPA, Tribunal de Justiça de Roraima e Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. A atividade integrou a programação do Agosto Lilás, reforçando o compromisso de Boa Vista com políticas públicas permanentes de proteção, acolhimento, autonomia e garantia de direitos às mulheres. Projeto Poderosas da Amazônia – É uma iniciativa social voltada ao fortalecimento institucional, liderança e defesa dos direitos humanos das mulheres e adolescentes na Região Norte do Brasil. É coordenado pelo Instituto de Estudos Socieconômicos (Inesc) em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA ) e com o apoio da Embaixada da França no Brasil, o projeto desenvolve ciclos de formação, seminários e materiais didáticos para apoiar coletivos de mulheres. Atua no fortalecimento dos serviços públicos de enfrentamento à violência baseada em gênero e da sociedade civil, promovendo a articulação entre diferentes instituições para ampliar as ações de prevenção, atendimento e proteção às mulheres.

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Pão Araribóia: 50 anos de tradição que viraram patrimônio cultural imaterial de Boa Vista

Tradição, afeto e memória se unem em um dos sabores emblemáticos da capital, que agora tem sua história oficialmente reconhecida e preservada Presente na mesa de gerações de boa-vistenses, o tradicional Pão Araribóia hoje é, oficialmente, parte da história e da identidade da capital. Após cinco décadas de tradição, neste ano, o alimento foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de Boa Vista, valorizando um dos sabores mais afetivos da cidade e preservando um legado construído ao longo de 50 anos. O reconhecimento celebra não apenas a receita, mas também o saber-fazer, a história e o papel que o pão desempenha na construção da identidade cultural do município. Toda tradição tem um começo. A de Araribóia Castelo, no ofício de padeiro, começou aos 16 anos de idade, conquistando espaço na mesa e na memória de uma Boa Vista da década de 1955. “Eu era menino quando comecei a trabalhar na padaria. No início, eu abria o forno que assava os pães. Depois, o padeiro foi embora e eu fui fazer pão porque já tinha aprendido. Continuei trabalhando em muitos lugares e não parei mais. Na década de 70, eu consegui comprar esse prédio aqui. Assava pão de madrugada para entregar de manhã cedo nas casas dos clientes”, disse Araribóia. De geração em geração Com o passar dos anos, a responsabilidade de manter a tradição da padaria da família foi assumida pelas filhas, que preservam o mesmo cuidado e a qualidade que marcaram a história do Pão Araribóia, criado pelo pai. Ana Rita Menezes, de 57 anos, conta que a função herdada do pai não é fácil, porém o apoio de netos, sobrinhos e dos irmãos faz toda a diferença para manter o andamento do empreendimento. “Fomos criados com ele e minha mãe trabalhando muito aqui na padaria. A gente acordava de manhã e já tinha cliente na porta de casa. Eu morava em Manaus quando voltei para assumir as responsabilidades da padaria, pois ele já não estava mais dando conta por causa da idade. É uma função desafiadora, mas conto com o apoio da nossa família e o carinho dos clientes. Meu pai é muito querido”, destacou. Sabor de infância Muito mais do que um alimento, o Pão Araribóia representa memória, cultura e pertencimento. Ao longo dos anos, conquistou espaço no cotidiano da população, atravessando gerações e se tornando um dos símbolos de Boa Vista. O autônomo  Aldecival de Souza, quando criança, era vizinho da padaria. Os anos passaram, a casa ficou mais distante do empreendimento, mas o hábito continua vivo. “Antes, a minha casa ficava aqui do lado da padaria. Então, todos os dias eu vinha comprar pão caseiro logo cedo. Hoje, moro no bairro Cauamé, um pouco mais longe, e continuo garantindo o meu pão. Por mais que os anos tenham passado, eles continuam com o processo natural, preservando a qualidade de sempre. Para mim, o pão tem gosto de infância”, contou. Reconhecimento oficial Após 50 anos de história, o Pão Araribóia recebeu uma homenagem à altura de sua relevância para Boa Vista: o reconhecimento oficial de um patrimônio que pertence à memória e ao coração dos boa-vistenses. Segundo a coordenadora do Patrimônio Cultural de Boa Vista, Carolina Albuquerque, o espaço e a forma de fazer o pão são únicos no município. “O principal efeito do reconhecimento oficial é a questão do valor cultural do Pão Araribóia, porque ele é bem tradicional aqui na cidade. Isso ajuda a preservar a tradição e o modo de fazer o pão. Dá visibilidade para o produto, para aquele espaço que é muito tradicional. Essa visibilidade é o produto e ele reforça a importância da nossa identidade cultural em Boa Vista”, apontou. Por Jaqueline Pontes

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