O atual governador interino de Roraima, Soldado Sampaio (Republicanos), mantém um histórico de relações políticas e profissionais com o ministro Flávio Dino e com o procurador-geral do Estado, Paulo Holanda. Antes de assumir uma cadeira no STF, em 2024, Flávio Dino construiu carreira política no PCdoB, partido pelo qual foi eleito governador do Maranhão, tornando-se o primeiro filiado da legenda a conquistar o cargo no país. Na época, Soldado Sampaio também integrava os quadros do PCdoB, legenda da qual permaneceu filiado até 2021. Já Paulo Holanda, nomeado procurador-geral do Estado de Roraima em 1º de maio de 2026 pelo governo interino de Soldado Sampaio, possui uma longa trajetória de proximidade profissional com o atual governador. Paulo Luís de Moura Holanda figura como advogado do PCdoB em registros públicos e também atuou como diretor jurídico da Associação dos Policiais e Bombeiros Militares de Roraima (APBM-RR), período em que Soldado Sampaio exercia liderança na entidade. O movimento reivindicatório conduzido pela associação é apontado como um dos marcos iniciais da trajetória política de Sampaio. Quando assumiu a presidência da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), em 2021, Soldado Sampaio nomeou Paulo Holanda para o cargo de procurador-geral da Casa. Holanda permaneceu na função até assumir a Procuradoria-Geral do Estado em 2026. Em dezembro de 2025, Paulo Holanda recebeu a Comenda Orgulho de Roraima. Na homenagem, foi destacada sua atuação na Procuradoria-Geral da Assembleia Legislativa ao longo dos anos. Outro episódio que gerou debate político foi a aprovação da PEC nº 013/2025 pela Assembleia Legislativa. A proposta reduziu de dez para cinco anos a exigência mínima de experiência profissional para o exercício do cargo de procurador-geral do Estado e retirou a obrigatoriedade de origem em carreira específica. A emenda foi promulgada pelo então presidente da ALE-RR, Soldado Sampaio, e contou com o apoio de deputados estaduais aliados. Posteriormente, Paulo Holanda foi nomeado para chefiar a Procuradoria-Geral do Estado. A sequência dos acontecimentos levanta questionamentos sobre a influência política exercida nos bastidores da administração estadual. Até o momento, não há decisão judicial que reconheça irregularidades ou a prática de crime por parte dos envolvidos.