
Autoridades em Roraima manifestam preocupação com a vinda de novos imigrantes da Venezuela
Depois que o Governador de Roraima, Antonio Denarium (PP) sugeriu o fechamento da fronteira do Brasil com a Venezuela, autoridades políticas e órgãos públicos se manifestaram sobre um possível êxodo de imigrantes do país vizinho para o território brasileiro. A Defensoria Pública do Estado de Roraima (DPE-RR) informou à imprensa preocupação com os possíveis impactos humanitários e alerta para o risco de um novo aumento no fluxo migratório pela fronteira norte do Brasil. Para o órgão, o estado enfrenta limitações estruturais históricas nas áreas de saúde, assistência social, educação e acolhimento. Um aumento rápido da demanda pode sobrecarregar os serviços públicos, com impactos mais imediatos em Pacaraima e Boa Vista. “Roraima tende a sentir esse impacto de forma direta, por concentrar a principal entrada terrestre no Brasil, especialmente pelo município de Pacaraima. Pessoas em situação de maior vulnerabilidade, como crianças e adolescentes, mulheres, povos indígenas transfronteiriços, pessoas idosas, pessoas com deficiência e a população LGBTQIAPN+ costumam enfrentar mais dificuldade para acessar saúde, proteção social, documentação e acolhimento”. A DPE-RR sugeriu que aconteçam ações coordenadas entre os Governos Federal, Estadual e Municipais, para que se tenha um reforço da Operação Acolhida, o fortalecimento das redes de saúde, educação e assistência social em Roraima, a ampliação do processo de interiorização e mobilização de recursos humanos, financeiros e logísticos. Para o Defensor Público-Geral, Oleno Matos, disse que são necessárias medidas preventivas, com foco na proteção de pessoas em situação de vulnerabilidade e na preservação da capacidade dos serviços públicos em Roraima. “Traçamos cenários de possibilidades. Seja um cenário em que os Estados Unidos, Europa ou outros países bloqueiem a Venezuela, em relação a negociações; seja um cenário em que a Venezuela receba ataques ou cenário de invasão do território vizinho. Roraima vai sofrer nessas situações e sentimos sim a ausência do Governo Federal”. Impactos em Boa Vista No mesmo sentido, o Vereador de Boa Vista, Bruno Perez (MDB), tem alertado ao longo dos anos sobre os impactos da imigração na capital Boa Vista. Para ele, esse é um problema antigo que precisa ser resolvido pelo Governo Federal. “A crise na Venezuela tem mais de uma década, e nesse mesmo período, Roraima tem recebido milhares de imigrantes em busca de emprego, cidadania, saúde e educação. Essas pessoas precisam de suporte, mas um país não cabe em um estado, e quem paga a conta é o Governo e a Prefeitura, além das ONGs, porque o Governo Federal ainda não se envolveu com a imigração de forma efetiva”. Governo articula com Exército O Governador de Roraima, Antonio Denarium, se reuniu na segunda-feira, 5/1, com o Comandante do Comando Militar da Amazônia (CMA), general de Exército Viana Filho, para o fortalecimento da integração entre as forças estaduais de segurança e o Exército Brasileiro, especialmente no acompanhamento e monitoramento da faixa de fronteira. O general Viana Filho ressaltou que a visita faz parte de uma agenda institucional de rotina e avaliou positivamente o cenário observado na fronteira. “Estamos visitando a 1ª Brigada e aproveitamos para conhecer o pelotão de fronteira em Pacaraima, onde constatamos situação de normalidade. A integração entre as forças de segurança e o Exército gera tranquilidade, com fluxo migratório dentro da normalidade”, afirmou. A reunião marcou ainda a primeira visita institucional de 2026 do comandante do CMA ao Governo de Roraima. Participaram do encontro o vice-governador Edilson Damião, o comandante do Exército em Roraima, general de brigada Roberto Pereira Angrizani e o chefe da Operação Acolhida, general Santos, além de representantes da cúpula da segurança pública estadual. Durante o encontro, as autoridades reafirmaram o compromisso de ampliar ações de inteligência e monitoramento preventivo. Na fronteira, no município de Pacaraima, o foco do Exército Brasileiro permanece sendo o monitoramento e a entrada de ilícitos no Brasil.

