
Escalas exaustivas, salários estagnados e prioridades invertidas: Policial “é peão de obra”
A Polícia Militar de Roraima completa 81 anos e a Policial Militar, a policial militar Adriane Severo, usou as redes sociais para desabafar sobre o que o Governo não tem feito pela tropa, como a valorização salarial e qualidade de vida. “Eu queria conseguir dizer que é um dia de comemoração, queria olhar para essa data e sentir alegria no peito, mas a verdade o que eu sinto mesmo é um aperto, um cansaço, um desânimo que a farda não tem conseguido esconder”, iniciou o desabafo. Em meio a escalas apertadas, jornadas extenuantes e uma estagnação salarial, cresce o sentimento de abandono entre os policiais militares do estado. Adriane rompeu a barreira do silêncio estatal, e denuncia aquilo que muitos já comentam nos bastidores: a discrepância entre as prioridades do Governo do Estado e a realidade vivida pela tropa. “Pra gente o que teve mesmo foi escala apertada, missão extra… a gente queria trocar toda essa festividade por respeito, por valorização, porque na verdade estamos cansados de sermos chamados de heróis em discurso bonito, cansados de ouvir que temos o Governo que mais valoriza a segurança pública, enquanto nós vivemos a mais de uma década sem reajuste salarial”, afirma Severo, resumindo em poucas palavras um sentimento de frustração que se tornou rotina. As reclamações não são infundadas. Nos batalhões, relatos de policiais trabalhando dobrado, cobrindo escalas enxutas e lidando com uma pressão que ultrapassa o desgaste físico. A falta de reposição salarial não apenas diminui o poder de compra dos servidores, como aprofunda a sensação de desvalorização institucional. “Mas sabe o que mais dói? Dói ver um Governo fazendo festas milionárias e dizer que não tem recurso para pagar o nosso reajuste, dói ver que quem prometeu brigar pelo nosso reajuste, agora segue em silêncio. Dói ver o policial militar ser tratado como peão de obra”, criticou. Essa contradição expõe um problema político mais profundo: a segurança pública é frequentemente usada como bandeira eleitoral, mas raramente tratada como prioridade real. Roraima precisa decidir se quer uma segurança pública sustentada por servidores respeitados e valorizados ou se continuará apostando em discursos que, na prática, não passam de cortina de fumaça.


